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Seleção na raça Nelore, ainda temos muito o que conversar

Publicado em 15/08/2018

Por: Equipe BrasilcomZ

Olá, amigos pecuaristas. Quando escrevo esta coluna, já estamos no final de julho, em meio a muitos leilões de reprodutores e perto das definições de compra de sêmen para a próxima estação de monta. Esses últimos dias me marcaram pelas indagações de criadores sobre os critérios de seleção praticados no Nelore do século XXI. Já sabemos o resultado da Copa: a França ganhou, e a seleção da Croácia fez bonito – e mais bonito ainda fez a sua presidente, não só pela simpatia e beleza, mas pelos exemplos de postura, cidadania e moral, viajando em voo de linha e cumprimentando todos os jogadores. Enquanto, por aqui, incrivelmente, o plano/manobra de libertar o ex-presidente da prisão quase deu certo, e o vídeo precipitado, gravado por outro condenado da mesma turma que hoje goza de liberdade, viralizou na internet. Deixando a política de lado, vamos falar sobre critérios de seleção e biótipo baseados em duas situações vividas nas últimas semanas. A primeira delas aconteceu no Paraguai. Neste ano, estive pela quarta vez julgando a Exposição Internacional de Assunção – sempre uma estadia muito prazerosa e produtiva. De trabalho, foram dois dias de julgamentos em pista e a campo, mais uma palestra com o tema EPMURAS –  Colocando ciencia en los ojos.

Ao final desta apresentação, a abordagem provocou o público de criadores e propiciou um  bate-papo muito interessante sobre biótipo e tamanho ideais para a raça na sede da Nelore. Os paraguaios gostam do animal mais perto do chão, como o 4 de Estrutura, 6 de Precocidade e 6 de Musculosidade, e o alerta para eles é para não diminuírem demais o frame. No conteúdo, mostramos as correlações interessantes de P com características reprodutivas e de EPM com peso e ultrassonografia de carcaça, e, no meio disso tudo, houve uma indagação de um criador brasileiro sobre se o 666 para EPM não seria o boi ideal, já que precisamos de um boi pesado/ precoce que pode ser grande. No dia seguinte, com o julgamento a campo elegendo o melhor reprodutor geração 2016, ficou claro, na prática, que o 566 seria o animal considerado pela maioria como o mais apro
priado para grande parte dos ambientes nos trópicos. No entanto, deixamos claro, também, que, em zootecnia, não tem receita de bolo e a aptidão da fazenda influencia bastante no desenho que deverá ser moldado para o animal (EPMURAS, material completo em www. brasilcomz.com). Na semana seguinte, estive em Valparaíso/SP com Carlos Eduardo Novaes (Cadu Novaes), que, há 53 anos, seleciona o Nelore a partir de critérios particulares, sem tendência para os modismos. É assunto frequente entre Cadu e eu o Top 0,1%, ou animal com régua de DEPs equilibrada para aquilo que é mais importante. Nessa última visita em que fizemos avaliação de toda a safra 2017, o quesito funcionalidade foi motivado. Será que facilidade de parto, umbigo funcional e aprumos corretos não continuam sendo essenciais para serem considerados na seleção do Nelore? O fato é que, para quem vive a seleção do Nelore dos currais aos números de sumário, esses temas continuam sendo motivo de muita conversa produtiva, pois não existe ainda uma matemática tão clara para a seleção que exclua o talento e a percepção humana na interpretação dos fatos.

É isso aí. Vamos que vamos!